“Kandandu: encontro de Blocos Afro” recebe homenagem do Ministério dos Direitos Humanos

22 de novembro de 2018


O “Kandandu: Encontro de Blocos Afro”, ação promovida pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Belotur, recebeu homenagem do Ministério dos Direitos Humanos. O encontro, que marca a abertura do Carnaval de Belo Horizonte, foi reconhecido como uma das maiores ações de promoção de igualdade racial do país. A cerimônia aconteceu na segunda-feira, dia 19, no Auditório 1 da Prefeitura de Belo Horizonte.

A placa, que marca esse reconhecimento, foi entregue à Belotur, responsável pela organização do evento. A homenagem foi estendida à Associação de Blocos Afro de Minas Gerais (Abrafro/MG), que divide a construção e articulação do Kandandu. Na oportunidade, ainda foi condecorada a coreógrafa, pesquisadora e precursora da Dança Afro em Minas Gerais, mestra Marlene Silva.

“Essa homenagem é um reconhecimento do Poder Público sobre a importância da promoção da igualdade racial no Carnaval de Belo Horizonte, a festa mais popular da cidade. E é uma alegria compartilhar esse reconhecimento com a Abafro e com Marlene Silva, que são atores essenciais para a construção desse encontro potente que abre a nossa folia. Essa celebração ainda nos dá mais impulso para o Carnaval de 2019, que terá justamente a cidadania como eixo principal”, afirmou Gilberto Castro, diretor de Operações e Eventos da Belotur.

A cerimônia fez parte da programação do Novembro Preto, organizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania. O encontro começou com a mesa de diálogo ‘Dia Municipal da Consciência Negra: Territórios Pretos/Desenvolvimento sustentável e econômico’, que reuniu representações de vários movimentos culturais da cidade para debate sobre o tema.

O Kandandu

Realizado desde 2017, o Kandandu é um evento construído coletivamente com a sociedade civil, Associação dos Blocos Afro de Minas Gerais (Abafro) e Belotur e marca a abertura do Carnaval de Belo Horizonte. Em 2018, o evento teve a participação de blocos como Afoxé Bandarerê, Angola Janga, Magia Negra, Fala Tambor, Samba da Meia-Noite e Tambolelê.

A palavra ‘Kandandu’ significa abraço na língua africana kimbundu e vai muito além do contato físico entre dois corpos. Ela tem a ver também com a união de filosofias, ideais, conhecimentos e vivências por meio da ancestralidade africana.

Marlene Silva

Pioneira da dança afro em Minas Gerais, Marlene Silva já se apresentou em grandes centros de cultura internacionais como Wellesley College, Sulffolk University, The Boston Globe e The Boston Phoenix (EUA). Entre os vários trabalhos realizados foi coreógrafa do filme ‘Xica da Silva’, de Cacá Diegues. Fundou a Academia de Danças Afro-Primitivas, em Belo Horizonte, onde foi formado o Grupo de Danças ‘Luena’, coreografado e dirigido por ela.

Em 2001, Marlene foi premiada como Cidadã Honorária de Belo Horizonte. Durante sua carreira, recebeu mais de 20 medalhas de ouro em festivais de dança nacionais e internacionais, além de participar de mais de 500 workshops de dança (Europa, América Latina e EUA) como difusora da Cultura Afro-Brasileira.