Publicado em 21 de fevereiro de 2017

Mulheres do carnaval de rua de BH lançam campanha contra o assédio

Com a proximidade do Carnaval, os números da violência contra a mulher se tornam ainda maiores. Pesquisa divulgada pela organização internacional de combate à pobreza ActionAid, em 2016, mostra que 86% das mulheres brasileiras ouvidas sofreram assédio em público em suas cidades.

No Brasil, onde predomina uma cultura machista que culpabiliza a vítima, esse problema ganha novas proporções durante o carnaval: o número sobe para 98% de mulheres que relatam assédio.

Diante dessa realidade, um grupo de mulheres se uniu em volta de duas coisas em comum: o gosto pelo carnaval e a vontade de combater o assédio na folia belo-horizontina.

A ideia de criar a campanha surgiu depois de um jornal da cidade ter publicado no facebook uma matéria sobre o desfile dos blocos de rua formados exclusivamente por mulheres. Os comentários que seguiram a postagem mostravam diversos leitores misóginos e disseminando a cultura da violência contra a mulher.

A campanha foi batizada de “Tira a mão: é hora de dar um basta”, numa ressignificação do refrão da marchinha “Coxinha da Madrasta”. O tom da campanha é leve e busca mostrar que a foliã está no carnaval para se divertir e que o limite entre o assédio e a paquera não está na roupa, na fantasia ou na dança. O limite está na vontade da mulher.

O texto da campanha:

Sou foliã.

Eu sou da rua. Sou da cidade.

Eu comando a bateria.

Eu sou batuqueira.

Eu me jogo no carnaval.

Mas, isso não te dá nenhum direito.

Portanto, não me toque sem o meu consentimento.

Tira a mão: é hora de dar um basta.

Campanha por uma folia sem assédio.

Inspirada no movimento, a compositora Brisa Marques escreveu Marchinho, uma canção que aborda o tema do assédio e ajuda a potencializar a campanha.

A fim de facilitar ainda mais a adesão de mulheres de toda a cidade, a campanha disponibiliza todo o material (áudio, vídeo, peças gráficas e fotografias) para reprodução.

O financiamento do processo se deu de forma bem comum ao carnaval: um esforço coletivo no qual várias pessoas doaram seu tempo e trabalho.

Assista ao vídeo

Escute a marchinha

Ficha técnica:

Fotos: Alejandra Coronel

Imagens: Luis Evo (Primata Filmes)

Alexandre Resende

Edição: Maíra Cabral

Produção: Renata Chamilet

Trilha: Solta o cano

Locução: Carolina Correa/:Liquidificador Estúdio de Áudio

Arte gráfica: Vanessa Cabral/Mídia Ninja

Participam do vídeo e fotos:

Ana Cristina (cantora, compositora e Aquático)

Alejandra Coronel (Mídia Ninja)

Chaya Vasquez (Chaya Vasquez (Mamá Na Vaca, Tetê a Santa, Blocomum, Alcova Libertina, Bloco do Tcha-tcha, Bloco do Peixoto, Bloco Manjericão, Bloco Como Te Lhamas, Baque Pata de Leão, Bloco da Praia da Estação)

Daniela Ramos (Trovão de Minas, Baque de Minas e Tira o queijo)

Elisa de Sena (Bruta Flor e Tambor Mineiro)

Lívia Lopes (Roda de Timbau)

Luisa Nascimento (Bruta Flor)

Maíra Cabral (foliã)

Marcela Linhares (Roda de Timbau)

Nara Torres (Sagrada Profana e Chama o Síndico)

Raíssa Betinelli (Bloco Clandestina)

Palomita DJ (Rua)

Vih Coelho (Havayanas Usadas)

Apoiam a campanha até o momento:

Mamá Na Vaca
Tetê a Santa
Blocomum
Alcova Libertina
Bloco do Tcha-tcha
Bloco do Peixoto
Bloco Manjericão
Bloco Como te lhamas
Baque Pata de Leão
Bloco da praia da Estação

Bruta Flor

Sopra que sara

Havayanas usadas

Garotas solteiras

Trovão de Minas
Baque de Minas
Tira o queijo)

Bruta Flor e Tambor Mineiro

Tchanzinho Zona Norte

Roda de timbau

Bruta Flor

Juventude Bronzeada

Mídia Ninja

Me beija que eu sou pagodeiro

Sagrada profana

Bloco Clandestina

Sopra que sara

Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais

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